Hoje não me apetece escrever poesia.
"A esperança é a arte de ser feliz sem a felicidade..." (Berilo Neves)
Apetece-me desabafar e realmente não consigo escolher com quem o quero fazer.
Gostava de desabafar com Deus. Mas precisava de um sinal. Há um monte de tempo que venho a olhar para o relógio, e talvez com o tempo, eu perdi a fé que houvera em mim. E eu preciso dela. Preciso mesmo...
Todos nós já tivemos um sonho que nos acompanhou durante uma vida.
Sonhamos, sonhamos, sonhamos. Pelo meio deixamos cair umas lágrimas, na ténue esperança de que as lágrimas caiam na boa graça de alguém ou de algo divinamente superior e que nos traga o que tanto desejamos.
Lutamos, lutamos, lutamos. Com a amarga esperança de que o nosso esforço irá ser reconhecido de alguma forma e que seremos bem sucedidos.
No fim, o grande dia chega e o nosso sonho está ali. Bem junto de nós, pronto a ser consumido e com um letreiro delicioso e apelativo que diz "Parabéns. Chegamos. Vem até a mim".
Nesse preciso momento, perguntamo-nos... "Será que era mesmo isto que eu queria?"!
Somos consumidos pelo medo de "Isto não era suposto ser tão fácil. Está a acontecer depressa demais. Eu não vou aguentar viver-te sonho."
Constantemente, dou por mim a desistir de coisas que eu sempre quis. O mais caricato de tudo, é que vou sempre embora sem olhar para trás. E levo comigo apenas, mágoa, rancor e...lágrimas.
Antigamente, nos belos dias da minha infância, e não só, eu sentia um grande grande borbulhar de borboletas dançantes no meu estômago quando me encontrava com Deus. Hoje já não sei como me encontrar com ele. E questiono-me da sua existência.
Tudo o que eu queria era acreditar de novo. Porque preciso de acreditar. Eram as asas destas borboletas que vos falo, que me conduziam a lugares mágicos de felicidade momentânea, como ela própria se caracteriza.
Continuo à espera que a benção divina, desça dos céus e me volte a iluminar para que eu possa cumprir a minha lenda pessoal. Todos nós temos uma.
Talvez o karma, me esteja a trazer de volta coisas que fiz sem querer, ou coisas que fiz por querer, sem saber o que estava a fazer, ou só porque fiz... Gostava de não as ter feito. Sou um ser humano. Errei. Já errei muito.
Gostava de me queixar um bocadinho menos. Fico sempre com a sensação enublada que por detrás da nuvem negra que eu própria criei, está o meu vale encantado, com unicórnios e arco-iris. E já que falo metafóricamente, onde é que estão as minhas musas do Tejo?
Filipa Carvalho
O homem tem necessidade de Deus; de contrário, fica privado de esperança.(Bento XVI, Spes Salvi)
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
sábado, 28 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Deusa dos Bosques

Procurei encontrar-te
Numa mensagem secreta
A doce descoberta
Estava em não procurar-te
Sempre estiveste ao meu lado
Como um anjo alado
Minha Deusa, musa de inspiração
Deixa me falar-te com a minha mão
Através de canetas
Através das minhas preces
Dá me um sinal
Por tudo o que me desses
Era libertar-me do mal
Nessa tua imensidão
Perdi-me e conheci-me
Tive mais perto do céu
Deste me tudo o que precisei
Para dar aos meus medos um não
Sagrada tu és e serás
Deus dos boques amada
Sejas em fases boas ou más
Sempre por mim adorada
Porque não te encontrei mais cedo
Para te ter como amiga
Deste respostas ao medo
Dando significado à minha vida
Mensagem mistério
Perdida em folhas e terra
Fui guerreira da luz
Para te salvar nesta guerra
Mas a salva fui eu
Foste tu quem me deu
As armas para vencer
Fizeste-me voltar a acreditar
Na essência do meu ser
Talvez seja esta a minha lenda pessoal
Venerar-te a ti, livrando-me do mal
Por ti faço esta oração
De corpo e alma
Do fundo do meu coração!
Assim te peço a benção
A resposta dinival!
"Que a Deusa e o Deus o ajudem nesta procura"
Filipa Carvalho
sábado, 3 de outubro de 2009
Pedras no caminho
Acordei de um sonho
Que parecia não ser o meu
Queria partilha-lo
Devolve-lo a quem me deu
...
As folhas do Outono
Voltaram me trazendo Ruinas e Sumiços
Novamente
O pensamento é quente
O sentimento é frio
Arrepios recordam me o quente do Natal
o vinho do Porto
o café bem forte
Recorda-me ondas do norte
Então encontrei-me
Onde me tinha perdido
Onde encontrei o meu fado
Onde mora a saudade...
Saber que ali estiveste
Saber que ali estiveste
E nem um bilhete escreveste
O frio do teu olhar
Deu me a entender que o teu amar
Nunca poderá ser meu
Porque demoraste a dizer
Que ia ser eu a perder
...
Que parecia não ser o meu
Queria partilha-lo
Devolve-lo a quem me deu
...
As folhas do Outono
Voltaram me trazendo Ruinas e Sumiços
Novamente
O pensamento é quente
O sentimento é frio
Arrepios recordam me o quente do Natal
o vinho do Porto
o café bem forte
Recorda-me ondas do norte
Então encontrei-me
Onde me tinha perdido
Onde encontrei o meu fado
Onde mora a saudade...
Saber que ali estiveste
Saber que ali estiveste
E nem um bilhete escreveste
O frio do teu olhar
Deu me a entender que o teu amar
Nunca poderá ser meu
Porque demoraste a dizer
Que ia ser eu a perder
...
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Doce serventia
Caminhamos todos no mesmo sentido,
No entanto, nem todos nos conhecemos.
Quase ninguém sabe de onde viemos...
Mas de certo viemos todos do mesmo lugar.
No entanto, nem todos nos conhecemos.
A vida é controversa.
A vida é ter esperança e acreditar.
A plenitude dos nossos actos é garantida pela entrega.
Se estamos entregues, estamos predestinados ao êxito.
Se formos bem sucedidos, o nosso ego desenvolve-se.
Se o nosso ego estiver bem estimado, certamente conheceremos mais pessoas.
Ainda que nem todos nos conheçamos.
A vida é simples.
A vida é aprendizagem.
A vida é o nosso emprego,
cabe-nos a nós desenvolver as nossas capacidades
para sermos promovidos
e chegarmos bem ao topo.
Somos serventes deste modo de vida,
De lutar pelo que acreditamos.
Basta querer...
E eu...
Eu quero!
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Por um amor sem limites
Uma amizade não tem de ter uma razão de existência
Existe por si só
Nunca existiram palavras suficientes para que agradeça todo o carinho e amizade que me dás
Nunca algum reconhecimento será bastante grande que explique o quanto te adoro
e o quanto fazes parte de mim
E de que forma daria tudo por ti
Quatro anos...
Dos quais todos eles especiais
Só te posso agradecer amiga...amora..."namorada"
*Porque amizade também é amor...Porque os amigos são a família que o destino se esquecem de nos dar*
Se fosses um mês...serias Abril
Se fosses um dia da semana..Sábado, ou Sexta feira
Se fosses uma estação do ano..eras Verão
Se fosses uma fruta...uma amora
Se fosses uma bebida... Malibu cola
Se fosses uma cor... Eras da cor da Luz... (Arco-íris)
Se fosses um desporto... Eras montanhismo...pois és grande
Se tu fosses um objecto...serias um telemóvel
Se fosses um animal...serias um pintainho frágil mas com muita força de vontade para voar
Se fosses um continente...serias África, no seu esplendor
Se fosses um meio de transporte...de certo eras um balão de ar quente.Pois proporcionas momentos únicos
Se fosses uma palavra...eras Tudo
Se fosses uma música.."Eu sei" Papas da Língua
Se fosses uma parte do corpo...serias sorriso
Se fosses um sentido... serias audição
Se fosses um sentimento... serias carinho
Se fosses um fenómeno...serias o inicio das coisas
Se fosses um número...és o 4
Se fosses uma frase..."Talvez o amor nos faça envelhecer antes da hora e nos torne jovens quando a juventude já passou" (Paulo Coelho)
Bom...quanto a mim...
Amo ter te como amiga
e amo a amiga que és*
*Tudo por ti!*
sábado, 20 de dezembro de 2008
Era uma vez...É assim que começam todas as histórias...e é no esplendor da inocência que é escrita a mais bela história de todas. Era uma vez uma criança...
Tudo o que marcar estas almas, esta pureza de criança marca-la-à para toda a vida...
Um sorriso é puro...
Dizem que as crianças são muito más! Errado! São sinceras... Não se sabem fechar ao "politicamente correcto" que supostamente é magoar pelas costas.
Sim, a profundidade de um olhar duma criança lembra mares e oceanos.
Lembra a força inconquistável dos ventos.
O abraço é mais ternurento e meigo que qualquer outra coisa no mundo.
Uma criança é paz. Por mais que não lhe demos o devido valor.
Eu adoro crianças.
Chamam lhe infantilidade...
Eu chamo-lhe fertilidade de sentimentos reais.
Correr, pular...
"Nunca me diverti tanto na minha vida"
"Eu quero voltar ali!"
Todas as pequenas acções...
Deus meu, se existes... O quanto Tu sabes o valor destas almas...
O quanto despresas por vezes o que tantas sofrem...
O quanto eu não dava para ser eternamente criança...
"A paz do coração é o paraíso dos homens"
Platão
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Antagonia
Nasço todos os dias em pensamentos e palavras feitos à tua imagemMorro na antagonia de não poder ser de quem me faz mais eu
És o meu jardim, só meu
És o caminho que mais ninguém conhece
Só eu sei... Chiu!
Silêncio!
És equilíbrio e paz
És candeia
Ilumias meus passos
És da duvida a maior das certezas
És dos passos o maior do progresso
És da vida a minha maior existência
És do divino a minha maior fé
Superiormente fazes me acreditar no teu domínio angelical sobre mim
No flagelo do teu olhar que me congelou a alma e conservará o coração para a eternidade
Adoro quando me olhas...
Adoro quando sorris...
Serás miragem?
Serás reprodução? Imaginação?
Cliché?
Mais que tudo... És vitalidade
És batimentos
Somos um...sangue...
Unha e carne
Rio e água
És tu quem me dá luz à madrugada
Quem me dá calmaria à noite
És presença constante mesmo que ausente
És ser, és estar.
És a conjugação celeste do verbo amar
Lenha
Árvore
Verde
Calmo
Céu
Azul
És o som das minhas palavras
És a vida do meu sangue
És meu, mesmo que nunca me venhas a pertencer
Sou tua, só tua, mesmo que nunca venha a pertencer-te.
És razão - ainda que não a entenda ou sequer a aceite,
Completas a sombra fria que há no espaço vazio que a solidão provocou.
És calor
Incendeias a minha sinestesia
com o teu cheiro a Natal,
o teu sabor a café,
o teu tom de dourado.
És plenitude
e plenamente és vida.
És e tens.
És tu quem tem.
És o compasso,
és a harmonia perfeita da minha melodia - sem pausas
ainda que com espaços em branco.
Amo-te porque o meu coração necessita.
Ele implora-te que te dês.
Renasce das cinzas por ti,
então chama-me Fénix.
Ou fado...Porque és o meu destino...
És o meu pequeno vicio...
terça-feira, 11 de novembro de 2008
=FALTA DE INSPIRAÇÃO CRONICA=

onde estás...inspiração...
"Vida em câmara lenta,
Oito ou oitenta,
Sinto que vou emergir,
Já sei de cor todas as canções de amor,
Para a conquista partir.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
Vida á média rés,
Levanta os pés
Não vás em futebóis, apesar…
Do intervalo, que é quando eu falo,
Para não me incomodar.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
Não me deixes já
Historia que não terminou
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…"
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Pronuncia do Norte

"E as teias que vidram nas janelas
esperam um barco
parecido com elas
Não tenho barqueiro nem hei-de remar
Procuro caminhos novos para andar
E é a pronúncia do Norte
Corre um rio para o mar"
Rumando nas ondas da vida
Acreditando que existe um destino
Faço planos para alterar a via
Que me guia
Tento lutar contra mim para me acalmar...
Alguns chamam lhe o corte
Eu chamo lhe pronuncia do Norte!
Ter garras para me encontrar...
Sinto o vento puxar,
Sinto as nuvens a abrir
No Norte
A Terra onde os cegos conseguem ver
O lugar onde os analfabetos conseguem ler
Através de sensações...
Lumiar os meus passos no luar do eixo oposto ao sul
Sentir que me aceitas por quem sou e fui...
É apenas pronuncia do Norte
São traços do meu próprio corte...
Mesmo que não entendas o que estou a escrever
Ter a pronuncia do Norte
É ter coragem para assumir o que vais dizer
Ser sem medo o que o destino nos faz ser...
Seguir a luz sem olhar pra trás...
Dizem-me os ventos do norte
Que a sina se faz sentir
Quando te esqueceres de chorar
A vontade crescente de rir
Deixa-la apoderar-se...
Deixa-la vir sem ter de partir...
Acorda com a Pronuncia a teu lado
Dá as mãos ao que te foi guardado
No fundo a Pronuncia é o teu fado...
Mesmo que não entendas o que estou a escrever
Ter pronuncia do norte
É ter coragem para assumir o que vais dizer...
Mergulha nos espaços e ruas
Voar com almas nuas
Com verdades por mais que obscuras
Deixa a tua vida rolar...
Toma posições que são tuas
Mudanças que és tu que mudas
Quebrando correntes cruas
Aceita sem medo de não acertar...
Fecho os olhos quando o Vento do Norte passar
Faz te a vida quando a pronuncia se apoderar
de ti....
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Fado Da Sina

"Reza-te a sina nas linhas traçadas na palma da mão,
Que duas vidas se encontram cruzadas no teu coração.
Sinal de amargura, de dor e tortura, de esperança perdida,
Destino marcado de amor destroçado na linha da vida.
E mais se reza na linha do amor que terá de sofrer
O desencanto ou leve dispor de uma outra mulher.
Já que a má sorte assim quis, a tua sina te diz...
Que até morrer, terás de ser, sempre infeliz.
Não podes fugir, ao negro fado mortal,
Ao teu destino fatal,
Que uma má estrela domina.
Tu podes mentir às leis do teu coração,
Mas (ai!...) quer queiras quer não,
Tens de cumprir a tua sina.
Cruzando a estrada na linha da vida traçada na mão,
Tens uma cruz à feição mal contida, que foi uma ilusão:
Amor que em segredo, nasceu quase a medo, p’ra teu sofrimento,
E foi essa imagem a grata miragem do teu pensamento.
E mais ainda te reza o destino que tens de amargar,
Que a tua estrela de brilho divino deixou de brilhar...
Estrela que Deus te marcou, mas que bem pouco brilhou
E cuja luz, aos pés da cruz, já se apagou."
Que duas vidas se encontram cruzadas no teu coração.
Sinal de amargura, de dor e tortura, de esperança perdida,
Destino marcado de amor destroçado na linha da vida.
E mais se reza na linha do amor que terá de sofrer
O desencanto ou leve dispor de uma outra mulher.
Já que a má sorte assim quis, a tua sina te diz...
Que até morrer, terás de ser, sempre infeliz.
Não podes fugir, ao negro fado mortal,
Ao teu destino fatal,
Que uma má estrela domina.
Tu podes mentir às leis do teu coração,
Mas (ai!...) quer queiras quer não,
Tens de cumprir a tua sina.
Cruzando a estrada na linha da vida traçada na mão,
Tens uma cruz à feição mal contida, que foi uma ilusão:
Amor que em segredo, nasceu quase a medo, p’ra teu sofrimento,
E foi essa imagem a grata miragem do teu pensamento.
E mais ainda te reza o destino que tens de amargar,
Que a tua estrela de brilho divino deixou de brilhar...
Estrela que Deus te marcou, mas que bem pouco brilhou
E cuja luz, aos pés da cruz, já se apagou."
( Fado da Sina- Amália Rodrigues)
O que é a Esperança no meio das trevas
Quando não há volta a dar?
Por mais que corra e que esteja deveras
feliz
O que o fado me diz é que terminarei infeliz
De olhos a chorar
Embora o saiba acreditarei para sempre no meu valor
Por mais que sofra e me magoe nos braços do amor
E ainda assim sorrirei sempre que te vir partir
Pois sei que um dia te tive para mim
e estive a sorrir
Mesmo que seja um momento
Um segundo passageiro
Fecho os olhos ao tormento
e brilho com o luar conselheiro
Sei que por mais que o brilho divino se apague
Terei sempre o coração Deus pronto para que me afague
Nos dias de tempestade em que falte a luz
Derramarei rios de chuva recordando a cruz
Mas sei que quando a tempestade se for
E já não houver rasto de dor
Ainda há sol que ilumine minha falta de cor...
Filipa Carvalho
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Eu Sou

Porque eu não sou faz de conta
Eu sou real
Sou tradicional
Sou arte das minhas origens - sou artesanal
Tenho em mim mil e um materiais
Tenho em mim mil e uma nascentes
De pensamentos e desejos
De fraquezas e sonhos
Dos quais poucas vezes acordo porque não chego a adormecer
Dos quais, mil e um não os sonhos porque não me deixam dormir...
Porque não sei se são mero sonho, ou pura realidade
Sou a perdição de mundos mágicos
Sou a paixão viva de viver
Sou a certeza de um dia ter desejado ter feito mais
Sou a desilusão de um dia ter desistido
Sou a fraqueza de uma luta não travada
Sou a vitória das mil batalhas que me fizeram ganhar as guerras
Sou o cume da minha própria montanha
Sou o ser e não ser ansiando por ser outro alguém
Sou o orgulho de ser eu, por me ter cruzado com quem cruzei
E fulgor de dias meus em paragens porcas e imundas
Em que pessoas se aproveitaram de mim e me fizeram sofrer
Mas sofrer fez me crescer
Então sou a sofrida matura!
Sou a ferida que o tempo fez questão de sarar
Sou a maçã vermelha que não caiu apodrecida no chão
Sou o Castelo rodeado por espinhos e negros arvoredos
Que alguém insiste atravessar para me conquistar
Sou Portugal conquistada dos Mouros
Sou a fronteira definida sem guerra
Tenho um Tratado assinado com a vida e serei um dia invadida pela morte quando o Tratado for quebrado por mim
Sou o desespero do relógio parado,
Sou as lágrimas que as nuvens choraram
Sou a criança cabisbaixa no baloiço por um infância não vivida
Tenho o condão de afastar quem gosto - é assim o meu karma
Sou a espera da carta no correio, parei no tempo porque nasci numa época que não a minha
Pois acredito em cavaleiros alados e versos de amor
Defendo os trovadores e poetas
E cantigas de amor, de escárnio e mal dizer
Sou a donzela de vestido e chapéu, enfiada numas calças de ganga
Sou a memória do passado
O Espelho da minha história,
Minhas rugas um dia serão páginas de tormento, alegrias, conhecimento e experiências
Sou a Roda do Mouchão que chora todos os dias alegremente
Sou o Nabão que corre corajosamente
Sou os edificios da minha terra, repletos de patologias
E esquecidos por quem tanto os amou
Vivo todos os dias com as mesmas pessoas
Que de tanto se habituarem à minha presença
Já nem sabem que existo
-Só quando estou de partida para as minhas viagens de comboio, que adoro
Então o que sou eu?
Sou "Viagens na Minha Terra"
Sou "História de Thomar"!
"As pernas altas são mastros
Que nenhum vento quebranta
Os olhos são negros astros
São faróis em terra santa"*
Minhas mão são candeias conselheiras
Que pousam em ombros chorados
Nos qual mil e uma lágrimas derramei
Suplicando que não me ouçam mais!
Odeio saber lamentar...
Sou "Menina que não disse nada
Que deixando os olhos falar
Disse querer ser amada"*1
*Tuna templária de Tomar (Varinas)
*1 Tuna Templária de Tomar (Menina que não disse nada)
sábado, 5 de julho de 2008
Equipa(rado)

A dois
A par
Em conjunto
Como pulgar e mendinho
Tudo funciona melhor
Como os sentidos
Flor e abelha
Lábios e beijo
Trabalho em equipa é equilibrio
Harmonia e sintonia
Abraço apertado
Aperfeiçoar
Duas mentes a trabalhar num mesmo objectivo
Traduzir-se-à em maior produtividade e eficiencia
O que dois olhos vêem é melhor observado por quatro
O que fazem duas mãos, constroem quatro muito mais rapidamente
São duas almas que se cruzam numa mesma obra
e reluzem - JUNTAS
Em equipa tudo é realizavel
e até o inatingivel fica mais perto
E menos impossivel
Para dois estão sempre dois singulares
Que se complementam
Trabalho, amizade, amor
Tudo é melhor quando é feito a dois...
Um bom governo é como uma boa digestão: enquanto funciona bem, quase não damos por ela. (Erskine Caldwell)
Filipa Carvalho
A par
Em conjunto
Como pulgar e mendinho
Tudo funciona melhor
Como os sentidos
Flor e abelha
Lábios e beijo
Trabalho em equipa é equilibrio
Harmonia e sintonia
Abraço apertado
Aperfeiçoar
Duas mentes a trabalhar num mesmo objectivo
Traduzir-se-à em maior produtividade e eficiencia
O que dois olhos vêem é melhor observado por quatro
O que fazem duas mãos, constroem quatro muito mais rapidamente
São duas almas que se cruzam numa mesma obra
e reluzem - JUNTAS
Em equipa tudo é realizavel
e até o inatingivel fica mais perto
E menos impossivel
Para dois estão sempre dois singulares
Que se complementam
Trabalho, amizade, amor
Tudo é melhor quando é feito a dois...
Um bom governo é como uma boa digestão: enquanto funciona bem, quase não damos por ela. (Erskine Caldwell)
Filipa Carvalho
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Degelo

"O problema (do dsegelo) será certamente composto pelas geleiras que estão derretendo e cujas águas sustentam muitos desertos, como o do Atacama e El Monte", Nota do Programa das Nações Unidas (PNUD).
Será que já não se recorda quando não havia combustão,
Como eram os tempos antes de existir carvão?
Como eram os ares sem rasto de poluição
Como eram as pessoas antes da auto-destruição
Não tentem demover-me porque eu sou incapaz
De entender o tipo de futuro que é voltar atrás
E discutem por factos iminentes quando o tempo é fugaz
Não sou capaz de entender as famosas buzinadelas
Grandes marchas em auto-estradas,
Vocês estão a prender-se nas vossas próprias celas
Belas manifestações para baixar o preço do combustível...
Mas uma marcha de carro parece-me impercebível!
Preços sobem, ordenado mantém
385 euros por mês não é vida para ninguém
Falamos de luz, água, pão e os bens essenciais
ponho à parte futilidades e bens superficiais
Com o aumento do combustível, aumenta a produção de trigo
Aumenta o seu transporte e o pão é vendido e o preço subido
Com dois filhos, estudos e saúde
Desculpem a expressão "Que grande foda"
Deus nos acude!
Como podemos nós travar o aumento dos preços, ou até mesmo o degelo
Se é dentro de nós que se começa a formar gelo
Fomos enregelados pela desgraça e pelo medo
Se não for isto o Apocalipse não sei então o que será
Quero aproveitar o hoje,
Quem sabe se o amanhã ainda há...
" Tomohiro Kato conduziu um camião até uma rua movimentada de Tóquio e começou a apunhalar quem por ali passava. Fez sete mortos e 10 feridos até ser detido pela polícia, a que confessou estar "farto de tudo". O aumento da violência arbitrária preocupa as autoridades nipónicas " Anunciam os Senhores e os Jornais
Dizem que Tomohiro estava farto da vida
e apunhalou todos os demais
Que vida é esta que já nem segurança existe
A depressão consome-nos e o degredo pressiste
"O fim-de-semana prolongado e a paralisação dos camionistas em Espanha estão a deixar alguns postos de gasolina da zona sul do país sem combustível, especialmente no Algarve. "
Como querem estabilização, se não há possível entrave!
"O número de lares duplicou em 14 anos: em 1992 eram cerca de 30 mil e em 2006 mais de 61 mil."
E se assim continuar vamos todos para lá dormir...
Força Portugal, não se esqueçam de quem somos
Lembrem-se de tudo o que temos
e de tudo o que já fomos.
Temos de ser forte, a crise há de ser ultrapassada...
"Em qualquer atividade, é preciso saber o que se deve esperar, os meios de alcançar o objetivo, e a capacidade que temos para a tarefa proposta. Só pode dizer que renunciou aos frutos aquele que, estando assim equipado, não sente qualquer desejo pelos resultados da conquista, e permanece absorvido no combate. Pode-se renunciar ao fruto, mas esta renúncia não significa indiferença ao resultado. A estratégia é de Mahatma Gandhi. O guerreiro da luz a escuta com respeito, e não se deixa confundir por pessoas que, incapazes de chegar a qualquer resultado, vivem pregando a renúncia." Paulo Coelho in "O guerreiro da luz e a renúncia"
sábado, 7 de junho de 2008
Beijo

É tocar o céu.
É voar entre as estrelas.
Admirar a lua de perto.
É chorar de alegria.
Limpar às mãos as lágrimas e estas continuam a escorrer nas minhas mãos.
Momentos intensos.
É tinta de caneta, é carvão de lápis.
É raiz de planta, é nascer para a vida.
É um baile de bocas.
É um desfile de felicidades.
É um abraço de lábios.
Como noite estrelada,
Como dia soalheiro,
Ensoalheirar os cantos da boca,
Com cantos de línguas inventadas.
Guerra Santa de linhas interligadas
Num beijo.
É elevar o espírito.
É meditar.
É eternizar sentimentos únicos
Nadar em águas calmas e quentes
Afagar as mantas dóceis e suaves,
Reavivar almas mortas presas em catacumbas.
Um beijo tem a força dum vendaval,
a força de um tornado
Um beijo é uma vida - "Que a vida é simplesmente uma colecção de pequenas vidas, cada uma vivida um dia de cada vez." (Nicholas Sparks, in Diário da Nossa Paixão)
Filipa Carvalho
Comunicação
Adoro comunicar contigo
porque nos une
Unir-nos é importante
Candeia de luz no meio da noite fria...
Assim és tu
Somos complemento de estar,
Complemento de gostar.
Somos feitos de palavras léxicas de amar.
Porque sabemos a importância de transmitir
E ensinar
Porque a ensinar estamos a aprender duas vezes:
Reaprender o que já foi aprendido
E aprender o que já foi ensinado
E a aprender estamos a crescer
Crescemos juntos
Tu fazes me ser mais eu
Porque formas traços e trajectos de pensamentos e dúvidas,
certezas e alegrias em mim
Tudo graças ao poder da comunicação
Porque se eu falar tu ouves,
Se eu chorar tu vês,
Se eu cair tu notas,
Se eu me rir tu sentes,
Se eu me perfumar tu cheiras.
Dás sentido aos sentidos porque os usas
Aplicas cores e linhas
em telas brancas nas páginas em branco da minha vida,
Sem medo de ter de rasgar uma página porque ficou mal.
Tenho todas as seguintes para reescrever.
Porquê?
Porque sou assim.
Porquê?
Porque estás em mim.
Porque existe a comunicação
Porque se porventura
Entrelaçássemos os dedos, as palmas das nossas mãos unir-se-iam.
De certo.
Porque se eu sussurrasse ao teu ouvido os sons voariam até ti por entre ondas do ar.
Porque ouves.
Se não ouvisses gesticularia para que me visses!
Se não me visses, pediria auxílio ao Braille para escrever
que te amo independentemente do tipo de comunicação.
O importante é que te amo
E tu sabes.
Não sei qual foi o tipo de comunicação usado,
mas sei que o sentimento é reciproco.
Comunicar é a arte de saber transmitir
ideias, pensamentos ou vontades.
Porque...
Comunicar é uma necessidade básica do Homem.
Sem comunicação não haveria entendimento.
Sem entendimento, as obras não tinham lugar.
Sem entendimento, a existência não existia - Porque não tinha como.
Comunicação é a razão - é fundamental.
Filipa Carvalho
"Eu gosto de escutar. Eu aprendi muito escutando cuidadosamente. A maioria das pessoas nunca escuta" (Ernest Hemingway)
Desfolhada

Hoje rasgo todas as folhas dessa tua Primavera
que espalhou em mim flores secas e pétalas caídas
por todo o meu chão - meu Outono.
Primavera ingrata, esse teu amor.
Magnitude negativa apenas.
Só vias o lado mau de tudo - em vez de reparares nas minhas lindas pestanas, reparavas em outros olhos - que não os meus...
Trocaste meus amaços, por aventuras e loucuras
Escolheste uma vida que não a minha,
Que não a nossa.
Amor agri-doce foi o que foste.
Dor essa que já não és.
Fico triste apenas por seres como és: caído
Desonesto.
Mentires a ti próprio para te enalteceres.
Não és o melhor - és o pior
Não és a minha desgraça (jamais)
És a paz conquistada (porque foste)
Quando quiseres abrir a porta, lembra-te que foste tu que saíste
E o lado de fora não tem maçaneta
Cá dentro não poderás retornar.
Filipa Carvalho
" O que é que há a fazer, quando nada há a ser feito? O destino marca o ritmo e nós dançamos a seu jeito"
Mc Xeg in Tinha de Ser
Autos de Fé

"Ou é porque o sal não salga ou porque a terra não se deixa salgar" Padre António Vieira in O Sermão De António Vieira Aos Peixes
O dia já se pôs e é triste ver a mudança
Os cantos estão mais escuros pois já não há confiança
A ganância tomou o poder com a exuberância
E a fé que era crucial, já nem tem alguma importância
Estou de luto com o infortúnio de alguém
Esperança mal propagada, porque nem o Padre a tem
Sem o mínimo de credibilidade nas suas palavras
De que valia pregares, se nem tu acreditavas?
No que insistentemente aclamavas...
Não preciso de ir à Igreja feita de pedras
Quando nem praticam as regras
que ditam
O encontro é com Deus, em espaços que são só meus
e confidenciar pecados que todos os dias praticam
Com que autoridade falam hoje senhores da Inquisição
Quando Deus ensinou a amar e mandou " Não Matarão"
Mas eu não sou ninguém para fazer prelucidação
Se aquilo que apregoam não cumprem
então não sonhem em vão
E uns aos outros se culpem do prejuízo
Continuem a tomar banhos em dinheiro
Encontra mo-nos no derradeiro Final Juízo...
Filipa Carvalho
"Tu só fazes - o suposto correcto,para dar um bom aspecto, a quem te vir
Tu só me dás - a fé do teu voto,mas no teu olhar noto, tu estás a mentir
Tu és - frustração, não tens um alicerce
então segue o coração e pensa no meu verso
Tu és - o pecado, o amor é um vício que ofende,
então volta ao início e aprende"
Sam the Kid in "Auto de Fé"
A Bolacha

Tu apareceste na minha vida
e comi uma bolacha de chocolate
Fomos sair, passear pela Baixa e depois acompanhaste-me até casa
e comi uma bolacha de chocolate
Levaste me às nuvens e fizeste-me acreditar que eras o escolhido, então comemorei
e comi uma bolacha de chocolate
No dia seguinte tentei ligar-te, não atendeste a chamada
e comi uma bolacha de chocolate
Procurei-te mais e mais
e comi uma bolacha de chocolate
Percebi que tinhas ido por livre arbítrio
e comi uma bolacha de chocolate
Chorei rios a fio, dei pontapés à calçada que percorremos juntos, odiei o banco do jardim que quase era nosso
e comi uma bolacha de chocolate
Aos poucos tornou-se fácil pensar em ti sem ódio, nem rancor. Fui dando nova cor aos meus dias
e comi uma bolacha de chocolate
Entretanto chegou a Primavera, implorando por uma lugar à minha janela
e comi uma bolacha de chocolate
A Primavera apoderou-se de mim
e comi uma bolacha de chocolate
Passei por tudo isso sozinha... com a bolacha de chocolate
Não há desgosto que o tempo de uma bolacha de chocolate não cure
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Poesia

Tamanha seria a ingratidão
Trocar a cruz templária por um trapézio
Tamanha seria a maldade
Deixar a minha cidade, com pés e coração
Seria tirar o som a toda a e mais alguma canção
Não largo o sentimento de escrever poesia
Jamais em algum momento
Que felicidade teria?
E se a escrever encontro pétalas e fontes
Deixar a poesia
Seria derrubar montanhas e montes
Era trabalho amaldiçoado,
castigado pela mentira,
Seria rasgado o bordado
Largar a poesia
Perderia a melodia,
Não haveria a luz do dia...
Perdoe Senhor o pecado
Do poeta cansado alguma vez ter pensado
Largar a poesia
Poeta não é pecador
É trazer ao peito a dor
Com orgulho e prazer
Era uma tela sem cor
Coração sem amor
Abdicar da Poesia
Filipa Carvalho
"Portugal é, foi sempre uma nação de milagre, de poesia"
Almeida Garret, in Viagens da Minha Terra
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