terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Respira

Hoje não me apetece escrever poesia.

"A esperança é a arte de ser feliz sem a felicidade..." (Berilo Neves)

Apetece-me desabafar e realmente não consigo escolher com quem o quero fazer.

Gostava de desabafar com Deus. Mas precisava de um sinal. Há um monte de tempo que venho a olhar para o relógio, e talvez com o tempo, eu perdi a fé que houvera em mim. E eu preciso dela. Preciso mesmo...

Todos nós já tivemos um sonho que nos acompanhou durante uma vida.

Sonhamos, sonhamos, sonhamos. Pelo meio deixamos cair umas lágrimas, na ténue esperança de que as lágrimas caiam na boa graça de alguém ou de algo divinamente superior e que nos traga o que tanto desejamos.

Lutamos, lutamos, lutamos. Com a amarga esperança de que o nosso esforço irá ser reconhecido de alguma forma e que seremos bem sucedidos.

No fim, o grande dia chega e o nosso sonho está ali. Bem junto de nós, pronto a ser consumido e com um letreiro delicioso e apelativo que diz "Parabéns. Chegamos. Vem até a mim".

Nesse preciso momento, perguntamo-nos... "Será que era mesmo isto que eu queria?"!
Somos consumidos pelo medo de "Isto não era suposto ser tão fácil. Está a acontecer depressa demais. Eu não vou aguentar viver-te sonho."

Constantemente, dou por mim a desistir de coisas que eu sempre quis. O mais caricato de tudo, é que vou sempre embora sem olhar para trás. E levo comigo apenas, mágoa, rancor e...lágrimas.

Antigamente, nos belos dias da minha infância, e não só, eu sentia um grande grande borbulhar de borboletas dançantes no meu estômago quando me encontrava com Deus. Hoje já não sei como me encontrar com ele. E questiono-me da sua existência.

Tudo o que eu queria era acreditar de novo. Porque preciso de acreditar. Eram as asas destas borboletas que vos falo, que me conduziam a lugares mágicos de felicidade momentânea, como ela própria se caracteriza.

Continuo à espera que a benção divina, desça dos céus e me volte a iluminar para que eu possa cumprir a minha lenda pessoal. Todos nós temos uma.

Talvez o karma, me esteja a trazer de volta coisas que fiz sem querer, ou coisas que fiz por querer, sem saber o que estava a fazer, ou só porque fiz... Gostava de não as ter feito. Sou um ser humano. Errei. Já errei muito.

Gostava de me queixar um bocadinho menos. Fico sempre com a sensação enublada que por detrás da nuvem negra que eu própria criei, está o meu vale encantado, com unicórnios e arco-iris. E já que falo metafóricamente, onde é que estão as minhas musas do Tejo?


Filipa Carvalho


O homem tem necessidade de Deus; de contrário, fica privado de esperança.(Bento XVI, Spes Salvi)

sábado, 28 de novembro de 2009

=)

virgem em aquario

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Deusa dos Bosques


Procurei encontrar-te

Numa mensagem secreta

A doce descoberta

Estava em não procurar-te


Sempre estiveste ao meu lado

Como um anjo alado

Minha Deusa, musa de inspiração

Deixa me falar-te com a minha mão


Através de canetas

Através das minhas preces

Dá me um sinal

Por tudo o que me desses

Era libertar-me do mal


Nessa tua imensidão

Perdi-me e conheci-me

Tive mais perto do céu

Deste me tudo o que precisei

Para dar aos meus medos um não


Sagrada tu és e serás

Deus dos boques amada

Sejas em fases boas ou más

Sempre por mim adorada


Porque não te encontrei mais cedo

Para te ter como amiga

Deste respostas ao medo

Dando significado à minha vida


Mensagem mistério

Perdida em folhas e terra

Fui guerreira da luz

Para te salvar nesta guerra


Mas a salva fui eu

Foste tu quem me deu

As armas para vencer

Fizeste-me voltar a acreditar

Na essência do meu ser


Talvez seja esta a minha lenda pessoal

Venerar-te a ti, livrando-me do mal

Por ti faço esta oração

De corpo e alma

Do fundo do meu coração!

Assim te peço a benção

A resposta dinival!



"Que a Deusa e o Deus o ajudem nesta procura"


Filipa Carvalho


sábado, 3 de outubro de 2009

Pedras no caminho

Acordei de um sonho
Que parecia não ser o meu
Queria partilha-lo
Devolve-lo a quem me deu
...

As folhas do Outono
Voltaram me trazendo Ruinas e Sumiços
Novamente
O pensamento é quente
O sentimento é frio
Arrepios recordam me o quente do Natal
o vinho do Porto
o café bem forte
Recorda-me ondas do norte

Então encontrei-me
Onde me tinha perdido
Onde encontrei o meu fado
Onde mora a saudade...
Saber que ali estiveste
Saber que ali estiveste
E nem um bilhete escreveste

O frio do teu olhar
Deu me a entender que o teu amar
Nunca poderá ser meu

Porque demoraste a dizer
Que ia ser eu a perder
...


sábado, 7 de fevereiro de 2009

Doce serventia


Caminhamos todos no mesmo sentido,
No entanto, nem todos nos conhecemos.
Quase ninguém sabe de onde viemos...
Mas de certo viemos todos do mesmo lugar.
No entanto, nem todos nos conhecemos.

A vida é controversa.
A vida é ter esperança e acreditar.
A plenitude dos nossos actos é garantida pela entrega.

Se estamos entregues, estamos predestinados ao êxito.
Se formos bem sucedidos, o nosso ego desenvolve-se.
Se o nosso ego estiver bem estimado, certamente conheceremos mais pessoas.
Ainda que nem todos nos conheçamos.

A vida é simples.
A vida é aprendizagem.

A vida é o nosso emprego,
cabe-nos a nós desenvolver as nossas capacidades
para sermos promovidos
e chegarmos bem ao topo.
Somos serventes deste modo de vida,
De lutar pelo que acreditamos.
Basta querer...

E eu...
Eu quero!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Por um amor sem limites



Uma amizade não tem de ter uma razão de existência
Existe por si só
Nunca existiram palavras suficientes para que agradeça todo o carinho e amizade que me dás
Nunca algum reconhecimento será bastante grande que explique o quanto te adoro
e o quanto fazes parte de mim
E de que forma daria tudo por ti
Quatro anos...
Dos quais todos eles especiais
Só te posso agradecer amiga...amora..."namorada"

*Porque amizade também é amor...Porque os amigos são a família que o destino se esquecem de nos dar*
Se fosses um mês...serias Abril
Se fosses um dia da semana..Sábado, ou Sexta feira
Se fosses uma estação do ano..eras Verão
Se fosses uma fruta...uma amora
Se fosses uma bebida... Malibu cola
Se fosses uma cor... Eras da cor da Luz... (Arco-íris)
Se fosses um desporto... Eras montanhismo...pois és grande
Se tu fosses um objecto...serias um telemóvel
Se fosses um animal...serias um pintainho frágil mas com muita força de vontade para voar
Se fosses um continente...serias África, no seu esplendor
Se fosses um meio de transporte...de certo eras um balão de ar quente.Pois proporcionas momentos únicos
Se fosses uma palavra...eras Tudo
Se fosses uma música.."Eu sei" Papas da Língua
Se fosses uma parte do corpo...serias sorriso
Se fosses um sentido... serias audição
Se fosses um sentimento... serias carinho
Se fosses um fenómeno...serias o inicio das coisas
Se fosses um número...és o 4
Se fosses uma frase..."Talvez o amor nos faça envelhecer antes da hora e nos torne jovens quando a juventude já passou" (Paulo Coelho)

Bom...quanto a mim...
Amo ter te como amiga
e amo a amiga que és*


*Tudo por ti!*

sábado, 20 de dezembro de 2008

Era uma vez...
É assim que começam todas as histórias...e é no esplendor da inocência que é escrita a mais bela história de todas. Era uma vez uma criança...
Tudo o que marcar estas almas, esta pureza de criança marca-la-à para toda a vida...
Um sorriso é puro...
Dizem que as crianças são muito más! Errado! São sinceras... Não se sabem fechar ao "politicamente correcto" que supostamente é magoar pelas costas.
Sim, a profundidade de um olhar duma criança lembra mares e oceanos.
Lembra a força inconquistável dos ventos.
O abraço é mais ternurento e meigo que qualquer outra coisa no mundo.
Uma criança é paz. Por mais que não lhe demos o devido valor.
Eu adoro crianças.
Chamam lhe infantilidade...
Eu chamo-lhe fertilidade de sentimentos reais.
Correr, pular...
"Nunca me diverti tanto na minha vida"
"Eu quero voltar ali!"

Todas as pequenas acções...

Deus meu, se existes... O quanto Tu sabes o valor destas almas...
O quanto despresas por vezes o que tantas sofrem...
O quanto eu não dava para ser eternamente criança...


"A paz do coração é o paraíso dos homens"
Platão

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Antagonia

Nasço todos os dias em pensamentos e palavras feitos à tua imagem
Morro na antagonia de não poder ser de quem me faz mais eu
És o meu jardim, só meu
És o caminho que mais ninguém conhece
Só eu sei... Chiu!
Silêncio!
És equilíbrio e paz
És candeia
Ilumias meus passos
És da duvida a maior das certezas
És dos passos o maior do progresso
És da vida a minha maior existência
És do divino a minha maior fé
Superiormente fazes me acreditar no teu domínio angelical sobre mim
No flagelo do teu olhar que me congelou a alma e conservará o coração para a eternidade
Adoro quando me olhas...
Adoro quando sorris...
Serás miragem?
Serás reprodução? Imaginação?
Cliché?
Mais que tudo... És vitalidade
És batimentos
Somos um...sangue...
Unha e carne
Rio e água
És tu quem me dá luz à madrugada
Quem me dá calmaria à noite
És presença constante mesmo que ausente
És ser, és estar.
És a conjugação celeste do verbo amar
Lenha
Árvore
Verde
Calmo
Céu
Azul
És o som das minhas palavras
És a vida do meu sangue
És meu, mesmo que nunca me venhas a pertencer
Sou tua, só tua, mesmo que nunca venha a pertencer-te.
És razão - ainda que não a entenda ou sequer a aceite,
Completas a sombra fria que há no espaço vazio que a solidão provocou.
És calor
Incendeias a minha sinestesia
com o teu cheiro a Natal,
o teu sabor a café,
o teu tom de dourado.
És plenitude
e plenamente és vida.
És e tens.
És tu quem tem.
És o compasso,
és a harmonia perfeita da minha melodia - sem pausas
ainda que com espaços em branco.
Amo-te porque o meu coração necessita.
Ele implora-te que te dês.
Renasce das cinzas por ti,
então chama-me Fénix.
Ou fado...Porque és o meu destino...

És o meu pequeno vicio...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

=FALTA DE INSPIRAÇÃO CRONICA=







onde estás...inspiração...










"Vida em câmara lenta,
Oito ou oitenta,
Sinto que vou emergir,
Já sei de cor todas as canções de amor,
Para a conquista partir.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
Vida á média rés,
Levanta os pés
Não vás em futebóis, apesar…
Do intervalo, que é quando eu falo,
Para não me incomodar.
Diz que tenho sal,
Não me deixes mal,
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
Não me deixes já
Historia que não terminou
Não me deixes…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…
No livro que eu não li,
No filme que eu não vi,
Na foto aonde eu não entrei,
Noticia do jornal
O quadro minimal… Sou eu…"

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Pronuncia do Norte



"E as teias que vidram nas janelas


esperam um barco


parecido com elas


Não tenho barqueiro nem hei-de remar


Procuro caminhos novos para andar


E é a pronúncia do Norte


Corre um rio para o mar"





Rumando nas ondas da vida


Acreditando que existe um destino


Faço planos para alterar a via


Que me guia


Tento lutar contra mim para me acalmar...


Alguns chamam lhe o corte


Eu chamo lhe pronuncia do Norte!


Ter garras para me encontrar...


Sinto o vento puxar,


Sinto as nuvens a abrir


No Norte


A Terra onde os cegos conseguem ver


O lugar onde os analfabetos conseguem ler


Através de sensações...



Lumiar os meus passos no luar do eixo oposto ao sul

Sentir que me aceitas por quem sou e fui...

É apenas pronuncia do Norte

São traços do meu próprio corte...


Mesmo que não entendas o que estou a escrever
Ter a pronuncia do Norte
É ter coragem para assumir o que vais dizer




Ser sem medo o que o destino nos faz ser...

Seguir a luz sem olhar pra trás...

Dizem-me os ventos do norte

Que a sina se faz sentir

Quando te esqueceres de chorar

A vontade crescente de rir

Deixa-la apoderar-se...

Deixa-la vir sem ter de partir...

Acorda com a Pronuncia a teu lado

Dá as mãos ao que te foi guardado

No fundo a Pronuncia é o teu fado...


Mesmo que não entendas o que estou a escrever
Ter pronuncia do norte
É ter coragem para assumir o que vais dizer...


Mergulha nos espaços e ruas
Voar com almas nuas
Com verdades por mais que obscuras
Deixa a tua vida rolar...
Toma posições que são tuas
Mudanças que és tu que mudas
Quebrando correntes cruas
Aceita sem medo de não acertar...

Fecho os olhos quando o Vento do Norte passar
Faz te a vida quando a pronuncia se apoderar
de ti....

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Fado Da Sina


"Reza-te a sina nas linhas traçadas na palma da mão,
Que duas vidas se encontram cruzadas no teu coração.
Sinal de amargura, de dor e tortura, de esperança perdida,
Destino marcado de amor destroçado na linha da vida.

E mais se reza na linha do amor que terá de sofrer
O desencanto ou leve dispor de uma outra mulher.
Já que a má sorte assim quis, a tua sina te diz...
Que até morrer, terás de ser, sempre infeliz.

Não podes fugir, ao negro fado mortal,
Ao teu destino fatal,
Que uma má estrela domina.
Tu podes mentir às leis do teu coração,
Mas (ai!...) quer queiras quer não,
Tens de cumprir a tua sina.

Cruzando a estrada na linha da vida traçada na mão,
Tens uma cruz à feição mal contida, que foi uma ilusão:
Amor que em segredo, nasceu quase a medo, p’ra teu sofrimento,
E foi essa imagem a grata miragem do teu pensamento.

E mais ainda te reza o destino que tens de amargar,
Que a tua estrela de brilho divino deixou de brilhar...
Estrela que Deus te marcou, mas que bem pouco brilhou
E cuja luz, aos pés da cruz, já se apagou."

( Fado da Sina- Amália Rodrigues)


O que é a Esperança no meio das trevas

Quando não há volta a dar?

Por mais que corra e que esteja deveras

feliz

O que o fado me diz é que terminarei infeliz

De olhos a chorar


Embora o saiba acreditarei para sempre no meu valor

Por mais que sofra e me magoe nos braços do amor

E ainda assim sorrirei sempre que te vir partir

Pois sei que um dia te tive para mim

e estive a sorrir

Mesmo que seja um momento

Um segundo passageiro

Fecho os olhos ao tormento

e brilho com o luar conselheiro

Sei que por mais que o brilho divino se apague

Terei sempre o coração Deus pronto para que me afague

Nos dias de tempestade em que falte a luz

Derramarei rios de chuva recordando a cruz


Mas sei que quando a tempestade se for

E já não houver rasto de dor

Ainda há sol que ilumine minha falta de cor...


Filipa Carvalho


quarta-feira, 23 de julho de 2008

Eu Sou


Porque eu não sou faz de conta
Eu sou real
Sou tradicional
Sou arte das minhas origens - sou artesanal
Tenho em mim mil e um materiais
Tenho em mim mil e uma nascentes
De pensamentos e desejos
De fraquezas e sonhos
Dos quais poucas vezes acordo porque não chego a adormecer
Dos quais, mil e um não os sonhos porque não me deixam dormir...
Porque não sei se são mero sonho, ou pura realidade
Sou a perdição de mundos mágicos
Sou a paixão viva de viver
Sou a certeza de um dia ter desejado ter feito mais
Sou a desilusão de um dia ter desistido
Sou a fraqueza de uma luta não travada
Sou a vitória das mil batalhas que me fizeram ganhar as guerras
Sou o cume da minha própria montanha
Sou o ser e não ser ansiando por ser outro alguém
Sou o orgulho de ser eu, por me ter cruzado com quem cruzei
E fulgor de dias meus em paragens porcas e imundas
Em que pessoas se aproveitaram de mim e me fizeram sofrer
Mas sofrer fez me crescer
Então sou a sofrida matura!
Sou a ferida que o tempo fez questão de sarar
Sou a maçã vermelha que não caiu apodrecida no chão
Sou o Castelo rodeado por espinhos e negros arvoredos
Que alguém insiste atravessar para me conquistar
Sou Portugal conquistada dos Mouros
Sou a fronteira definida sem guerra
Tenho um Tratado assinado com a vida e serei um dia invadida pela morte quando o Tratado for quebrado por mim
Sou o desespero do relógio parado,
Sou as lágrimas que as nuvens choraram
Sou a criança cabisbaixa no baloiço por um infância não vivida
Tenho o condão de afastar quem gosto - é assim o meu karma
Sou a espera da carta no correio, parei no tempo porque nasci numa época que não a minha
Pois acredito em cavaleiros alados e versos de amor
Defendo os trovadores e poetas
E cantigas de amor, de escárnio e mal dizer
Sou a donzela de vestido e chapéu, enfiada numas calças de ganga
Sou a memória do passado
O Espelho da minha história,
Minhas rugas um dia serão páginas de tormento, alegrias, conhecimento e experiências
Sou a Roda do Mouchão que chora todos os dias alegremente
Sou o Nabão que corre corajosamente
Sou os edificios da minha terra, repletos de patologias
E esquecidos por quem tanto os amou
Vivo todos os dias com as mesmas pessoas
Que de tanto se habituarem à minha presença
Já nem sabem que existo
-Só quando estou de partida para as minhas viagens de comboio, que adoro
Então o que sou eu?
Sou "Viagens na Minha Terra"
Sou "História de Thomar"!
"As pernas altas são mastros
Que nenhum vento quebranta
Os olhos são negros astros
São faróis em terra santa"*
Minhas mão são candeias conselheiras
Que pousam em ombros chorados
Nos qual mil e uma lágrimas derramei
Suplicando que não me ouçam mais!
Odeio saber lamentar...
Sou "Menina que não disse nada
Que deixando os olhos falar
Disse querer ser amada"*1
*Tuna templária de Tomar (Varinas)
*1 Tuna Templária de Tomar (Menina que não disse nada)

sábado, 5 de julho de 2008

Equipa(rado)


A dois
A par
Em conjunto
Como pulgar e mendinho
Tudo funciona melhor
Como os sentidos
Flor e abelha
Lábios e beijo
Trabalho em equipa é equilibrio
Harmonia e sintonia
Abraço apertado
Aperfeiçoar
Duas mentes a trabalhar num mesmo objectivo
Traduzir-se-à em maior produtividade e eficiencia
O que dois olhos vêem é melhor observado por quatro
O que fazem duas mãos, constroem quatro muito mais rapidamente
São duas almas que se cruzam numa mesma obra
e reluzem - JUNTAS
Em equipa tudo é realizavel
e até o inatingivel fica mais perto
E menos impossivel
Para dois estão sempre dois singulares
Que se complementam
Trabalho, amizade, amor
Tudo é melhor quando é feito a dois...

Um bom governo é como uma boa digestão: enquanto funciona bem, quase não damos por ela. (Erskine Caldwell)

Filipa Carvalho

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Degelo




"O problema (do dsegelo) será certamente composto pelas geleiras que estão derretendo e cujas águas sustentam muitos desertos, como o do Atacama e El Monte", Nota do Programa das Nações Unidas (PNUD).




Será que já não se recorda quando não havia combustão,


Como eram os tempos antes de existir carvão?


Como eram os ares sem rasto de poluição


Como eram as pessoas antes da auto-destruição


Não tentem demover-me porque eu sou incapaz


De entender o tipo de futuro que é voltar atrás


E discutem por factos iminentes quando o tempo é fugaz


Não sou capaz de entender as famosas buzinadelas


Grandes marchas em auto-estradas,


Vocês estão a prender-se nas vossas próprias celas


Belas manifestações para baixar o preço do combustível...


Mas uma marcha de carro parece-me impercebível!


Preços sobem, ordenado mantém


385 euros por mês não é vida para ninguém


Falamos de luz, água, pão e os bens essenciais


ponho à parte futilidades e bens superficiais


Com o aumento do combustível, aumenta a produção de trigo


Aumenta o seu transporte e o pão é vendido e o preço subido


Com dois filhos, estudos e saúde


Desculpem a expressão "Que grande foda"


Deus nos acude!


Como podemos nós travar o aumento dos preços, ou até mesmo o degelo


Se é dentro de nós que se começa a formar gelo


Fomos enregelados pela desgraça e pelo medo


Se não for isto o Apocalipse não sei então o que será


Quero aproveitar o hoje,


Quem sabe se o amanhã ainda há...


" Tomohiro Kato conduziu um camião até uma rua movimentada de Tóquio e começou a apunhalar quem por ali passava. Fez sete mortos e 10 feridos até ser detido pela polícia, a que confessou estar "farto de tudo". O aumento da violência arbitrária preocupa as autoridades nipónicas " Anunciam os Senhores e os Jornais


Dizem que Tomohiro estava farto da vida


e apunhalou todos os demais


Que vida é esta que já nem segurança existe


A depressão consome-nos e o degredo pressiste


"O fim-de-semana prolongado e a paralisação dos camionistas em Espanha estão a deixar alguns postos de gasolina da zona sul do país sem combustível, especialmente no Algarve. "


Como querem estabilização, se não há possível entrave!


"O número de lares duplicou em 14 anos: em 1992 eram cerca de 30 mil e em 2006 mais de 61 mil."


E se assim continuar vamos todos para lá dormir...




Força Portugal, não se esqueçam de quem somos


Lembrem-se de tudo o que temos


e de tudo o que já fomos.


Temos de ser forte, a crise há de ser ultrapassada...




"Em qualquer atividade, é preciso saber o que se deve esperar, os meios de alcançar o objetivo, e a capacidade que temos para a tarefa proposta. Só pode dizer que renunciou aos frutos aquele que, estando assim equipado, não sente qualquer desejo pelos resultados da conquista, e permanece absorvido no combate. Pode-se renunciar ao fruto, mas esta renúncia não significa indiferença ao resultado. A estratégia é de Mahatma Gandhi. O guerreiro da luz a escuta com respeito, e não se deixa confundir por pessoas que, incapazes de chegar a qualquer resultado, vivem pregando a renúncia." Paulo Coelho in "O guerreiro da luz e a renúncia"

sábado, 7 de junho de 2008

Beijo


É tocar o céu.
É voar entre as estrelas.
Admirar a lua de perto.
É chorar de alegria.
Limpar às mãos as lágrimas e estas continuam a escorrer nas minhas mãos.
Momentos intensos.
É tinta de caneta, é carvão de lápis.
É raiz de planta, é nascer para a vida.
É um baile de bocas.
É um desfile de felicidades.
É um abraço de lábios.
Como noite estrelada,
Como dia soalheiro,
Ensoalheirar os cantos da boca,
Com cantos de línguas inventadas.
Guerra Santa de linhas interligadas
Num beijo.
É elevar o espírito.
É meditar.
É eternizar sentimentos únicos
Nadar em águas calmas e quentes
Afagar as mantas dóceis e suaves,
Reavivar almas mortas presas em catacumbas.
Um beijo tem a força dum vendaval,
a força de um tornado
Um beijo é uma vida - "Que a vida é simplesmente uma colecção de pequenas vidas, cada uma vivida um dia de cada vez." (Nicholas Sparks, in Diário da Nossa Paixão)
Filipa Carvalho

Comunicação


Adoro comunicar contigo

porque nos une

Unir-nos é importante

Candeia de luz no meio da noite fria...

Assim és tu

Somos complemento de estar,

Complemento de gostar.

Somos feitos de palavras léxicas de amar.

Porque sabemos a importância de transmitir

E ensinar

Porque a ensinar estamos a aprender duas vezes:

Reaprender o que já foi aprendido

E aprender o que já foi ensinado

E a aprender estamos a crescer

Crescemos juntos

Tu fazes me ser mais eu

Porque formas traços e trajectos de pensamentos e dúvidas,

certezas e alegrias em mim

Tudo graças ao poder da comunicação

Porque se eu falar tu ouves,

Se eu chorar tu vês,

Se eu cair tu notas,

Se eu me rir tu sentes,

Se eu me perfumar tu cheiras.

Dás sentido aos sentidos porque os usas

Aplicas cores e linhas

em telas brancas nas páginas em branco da minha vida,

Sem medo de ter de rasgar uma página porque ficou mal.

Tenho todas as seguintes para reescrever.

Porquê?

Porque sou assim.

Porquê?

Porque estás em mim.

Porque existe a comunicação

Porque se porventura

Entrelaçássemos os dedos, as palmas das nossas mãos unir-se-iam.

De certo.

Porque se eu sussurrasse ao teu ouvido os sons voariam até ti por entre ondas do ar.

Porque ouves.

Se não ouvisses gesticularia para que me visses!

Se não me visses, pediria auxílio ao Braille para escrever

que te amo independentemente do tipo de comunicação.

O importante é que te amo

E tu sabes.

Não sei qual foi o tipo de comunicação usado,

mas sei que o sentimento é reciproco.

Comunicar é a arte de saber transmitir

ideias, pensamentos ou vontades.

Porque...

Comunicar é uma necessidade básica do Homem.

Sem comunicação não haveria entendimento.

Sem entendimento, as obras não tinham lugar.

Sem entendimento, a existência não existia - Porque não tinha como.

Comunicação é a razão - é fundamental.


Filipa Carvalho


"Eu gosto de escutar. Eu aprendi muito escutando cuidadosamente. A maioria das pessoas nunca escuta" (Ernest Hemingway)

Desfolhada


Hoje rasgo todas as folhas dessa tua Primavera

que espalhou em mim flores secas e pétalas caídas

por todo o meu chão - meu Outono.

Primavera ingrata, esse teu amor.

Magnitude negativa apenas.

Só vias o lado mau de tudo - em vez de reparares nas minhas lindas pestanas, reparavas em outros olhos - que não os meus...

Trocaste meus amaços, por aventuras e loucuras

Escolheste uma vida que não a minha,

Que não a nossa.

Amor agri-doce foi o que foste.

Dor essa que já não és.

Fico triste apenas por seres como és: caído

Desonesto.

Mentires a ti próprio para te enalteceres.

Não és o melhor - és o pior

Não és a minha desgraça (jamais)

És a paz conquistada (porque foste)

Quando quiseres abrir a porta, lembra-te que foste tu que saíste

E o lado de fora não tem maçaneta

Cá dentro não poderás retornar.


Filipa Carvalho


" O que é que há a fazer, quando nada há a ser feito? O destino marca o ritmo e nós dançamos a seu jeito"

Mc Xeg in Tinha de Ser

Autos de Fé


"Ou é porque o sal não salga ou porque a terra não se deixa salgar" Padre António Vieira in O Sermão De António Vieira Aos Peixes


O dia já se pôs e é triste ver a mudança

Os cantos estão mais escuros pois já não há confiança

A ganância tomou o poder com a exuberância

E a fé que era crucial, já nem tem alguma importância

Estou de luto com o infortúnio de alguém

Esperança mal propagada, porque nem o Padre a tem

Sem o mínimo de credibilidade nas suas palavras

De que valia pregares, se nem tu acreditavas?

No que insistentemente aclamavas...

Não preciso de ir à Igreja feita de pedras

Quando nem praticam as regras

que ditam

O encontro é com Deus, em espaços que são só meus

e confidenciar pecados que todos os dias praticam

Com que autoridade falam hoje senhores da Inquisição

Quando Deus ensinou a amar e mandou " Não Matarão"

Mas eu não sou ninguém para fazer prelucidação

Se aquilo que apregoam não cumprem

então não sonhem em vão

E uns aos outros se culpem do prejuízo

Continuem a tomar banhos em dinheiro

Encontra mo-nos no derradeiro Final Juízo...


Filipa Carvalho


"Tu só fazes - o suposto correcto,para dar um bom aspecto, a quem te vir

Tu só me dás - a fé do teu voto,mas no teu olhar noto, tu estás a mentir

Tu és - frustração, não tens um alicerce

então segue o coração e pensa no meu verso

Tu és - o pecado, o amor é um vício que ofende,

então volta ao início e aprende"

Sam the Kid in "Auto de Fé"

A Bolacha


Tu apareceste na minha vida


e comi uma bolacha de chocolate


Fomos sair, passear pela Baixa e depois acompanhaste-me até casa


e comi uma bolacha de chocolate


Levaste me às nuvens e fizeste-me acreditar que eras o escolhido, então comemorei


e comi uma bolacha de chocolate


No dia seguinte tentei ligar-te, não atendeste a chamada


e comi uma bolacha de chocolate


Procurei-te mais e mais

e comi uma bolacha de chocolate


Percebi que tinhas ido por livre arbítrio


e comi uma bolacha de chocolate


Chorei rios a fio, dei pontapés à calçada que percorremos juntos, odiei o banco do jardim que quase era nosso

e comi uma bolacha de chocolate


Aos poucos tornou-se fácil pensar em ti sem ódio, nem rancor. Fui dando nova cor aos meus dias


e comi uma bolacha de chocolate


Entretanto chegou a Primavera, implorando por uma lugar à minha janela


e comi uma bolacha de chocolate


A Primavera apoderou-se de mim


e comi uma bolacha de chocolate




Passei por tudo isso sozinha... com a bolacha de chocolate


Não há desgosto que o tempo de uma bolacha de chocolate não cure

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Poesia


Tamanha seria a ingratidão

Trocar a cruz templária por um trapézio

Tamanha seria a maldade

Deixar a minha cidade, com pés e coração

Seria tirar o som a toda a e mais alguma canção

Não largo o sentimento de escrever poesia

Jamais em algum momento

Que felicidade teria?

E se a escrever encontro pétalas e fontes

Deixar a poesia

Seria derrubar montanhas e montes

Era trabalho amaldiçoado,

castigado pela mentira,

Seria rasgado o bordado

Largar a poesia

Perderia a melodia,

Não haveria a luz do dia...

Perdoe Senhor o pecado

Do poeta cansado alguma vez ter pensado

Largar a poesia

Poeta não é pecador

É trazer ao peito a dor

Com orgulho e prazer

Era uma tela sem cor

Coração sem amor

Abdicar da Poesia


Filipa Carvalho


"Portugal é, foi sempre uma nação de milagre, de poesia"

Almeida Garret, in Viagens da Minha Terra